Abril é o Mês da Conscientização do Autismo, e em Itajaí, uma iniciativa criada por uma família com vivência direta no tema está ganhando reconhecimento nacional.

O Mirimim é um aplicativo lúdico e inteligente, desenvolvido por Aline Bernardi e Diogo Ruiz, moradores da cidade e pais do pequeno Augusto, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Uma consulta médica, uma vacina ou até uma ida ao dentista podem parecer situações simples para muitos. Mas, para crianças com autismo, esses momentos costumam vir acompanhados de medo, ansiedade e dificuldade de compreensão.

Foi pensando nisso que nasceu a nova iniciativa da startup, que já apoia mais de 17 mil crianças em todo o Brasil no desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais.

Agora, a empresa lançou uma campanha para criar o protocolo “Cuidando da Saúde”, que busca transformar esses momentos delicados em experiências mais leves, previsíveis e acolhedoras.

A proposta parte de algo simples, mas poderoso: preparar a criança para o que vai acontecer.

Por meio de atividades e orientações, o protocolo ajuda a antecipar cada etapa: antes, durante e depois da experiência, reduzindo a ansiedade e trazendo mais segurança.

“Muitas vezes, o problema não é o procedimento em si, mas a falta de previsibilidade. Quando a criança entende o que vai acontecer, o nível de ansiedade diminui muito e isso muda completamente a experiência”, explica Aline Bernardi, cofundadora do Mirimim.

Um dos principais desafios no cuidado de crianças com autismo é levar o que é trabalhado na terapia para o dia a dia, especialmente em situações sensíveis como o cuidado com a saúde.

“A terapia funciona, mas ela acontece em um ambiente controlado. A vida real é onde surgem os maiores desafios. O que estamos construindo é justamente essa ponte”, afirma Diogo Ruiz, cofundador do Mirimim.

A ideia é tornar esses momentos mais previsíveis e menos estressantes para crianças com autismo, suas famílias e também para os profissionais envolvidos no atendimento.

Diferente de um lançamento tradicional, o novo protocolo está sendo desenvolvido de forma aberta, com participação da comunidade.

“A gente decidiu abrir essa construção porque quem vive esse desafio no dia a dia tem muito a contribuir. Queremos que famílias e profissionais façam parte disso desde o começo”, explica Aline.

Hoje, o aplicativo combina inteligência artificial com práticas baseadas em evidências para apoiar o desenvolvimento de habilidades sociais, emocionais e cognitivas de forma contínua, dentro e fora do consultório.

A campanha permite que apoiadores contribuam financeiramente, enviem sugestões e acompanhem de perto o desenvolvimento das atividades, participando da construção do projeto desde o início.

Ana Caroline Zigart, jornalista no DIARINHO, pós-graduada em Marketing, Inovação e Criatividade pela Univali. Atua no jornalismo impresso, site e redes sociais.