A frequência de visitas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Santa Catarina, agora confirmada para o final de junho, reforça a percepção de um tratamento político e institucional distanciado por parte do governo federal em relação ao estado.

Esta será a terceira visita de Lula a Santa Catarina desde o início de seu mandato. Em todas as ocasiões anteriores, o foco se concentrou em Itajaí, no Litoral Norte catarinense. A primeira visita, em agosto de 2024, incluiu uma parada rápida em Florianópolis para a inauguração do Contorno Viário, seguida por um evento em Itajaí para o lançamento da Fragata Tamandaré. Em maio de 2025, o presidente retornou a Itajaí para anunciar a retomada das operações e novos investimentos no porto.

A próxima agenda presidencial, prevista para o fim deste mês, novamente terá Itajaí como palco principal, com a cerimônia de incorporação de outra fragata da Marinha. Embora as agendas em Itajaí tenham justificativas institucionais ligadas ao porto e à Marinha, a repetição do município no roteiro presidencial levanta questionamentos políticos. Itajaí é a cidade natal de Décio Lima, figura próxima ao presidente e com forte ligação familiar e política na região, tendo inclusive atuado como superintendente do porto.

Fora de Itajaí, a presença de Lula em Santa Catarina tem se limitado a Florianópolis. A capital catarinense é vista como um reduto eleitoral mais favorável ao PT, concentrando setores do funcionalismo público e universidades. No entanto, cidades de grande relevância econômica e eleitoral, como Joinville – o maior município do estado e um polo industrial – e Blumenau – principal centro do Médio Vale e historicamente bolsonarista – permanecem fora do radar presidencial. A situação se agrava ao observar os investimentos federais, com críticas de que obras estruturantes e públicas são escassas, e que a retomada de projetos como o Porto de Itajaí dependem majoritariamente da iniciativa privada. A análise sugere que Santa Catarina, apesar de sua organização e eficiência econômica, recebe um tratamento semelhante ao de governos anteriores, com investimentos federais aquém do esperado em relação aos tributos recolhidos.