Itajaí deu um passo significativo na consolidação de Santa Catarina como um polo estratégico para a indústria de defesa e segurança no Brasil. No dia 1º de julho, o município sediou a reunião inaugural do Polo Itajaiense da Base Industrial de Defesa e Segurança. A iniciativa congrega representantes do poder público municipal, entidades de classe e instituições de ensino, com o propósito de alinhar esforços e expandir a atuação do estado no setor.

O encontro contou com a participação de diversas esferas governamentais e institucionais, incluindo a Procuradoria-Geral do Município, as Secretarias Municipais de Desenvolvimento Econômico e Fazenda, a Invest Itajaí, a Secretaria de Segurança Pública, a Câmara de Vereadores, a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Essa colaboração multidisciplinar visa criar um ambiente propício para o desenvolvimento e a inovação na área.

A articulação para a criação do polo não é recente. Em maio, um protocolo de intenções já havia sido assinado entre Fiesc, Sebrae e a prefeitura de Itajaí durante a SC Expo Defense. A expectativa é que este protocolo se transforme em um projeto de lei municipal, focado em fomentar a atividade de defesa em Itajaí, atraindo investimentos, estimulando a tecnologia e ampliando a participação de empresas locais na cadeia produtiva.

O momento é oportuno, visto que Santa Catarina já se destaca nacionalmente. O estado figura na terceira posição no ranking de empresas credenciadas pelo Ministério da Defesa, com 33 empresas classificadas como Empresa de Defesa (ED) ou Empresa Estratégica de Defesa (EED). Esse número representa um crescimento expressivo desde 2016, quando havia apenas uma empresa nesse status. As vendas da indústria catarinense para o setor de defesa também apresentaram um salto notável, alcançando R$ 211,8 milhões em 2025, um aumento de 178% em relação a 2024.

A cadeia produtiva envolvida é diversificada, abrangendo não apenas fabricantes de armamentos, mas também segmentos como construção naval, tecnologia da informação, automação, metalmecânica, logística e cibersegurança. É relevante notar que cerca de 40% das empresas estratégicas de defesa em Santa Catarina são micro, pequenas ou startups, indicando um amplo espectro de oportunidades.

Itajaí, em particular, possui características que a posicionam como um "ponta de lança" nesse cenário. O município é sede do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), um projeto de grande envergadura da Marinha do Brasil em parceria com o Consórcio Águas Azuis. Este programa, com orçamento bilionário, já entregou a primeira fragata e sustenta milhares de empregos na região. A infraestrutura industrial e portuária, aliada à tradição naval, são os pilares sobre os quais o novo polo pretende se alavancar, buscando atrair mais empresas e fortalecer as cadeias de fornecimento.

O protagonismo de Itajaí na indústria naval já atraiu atenção internacional. Recentemente, o Ministério da Defesa organizou uma visita de 22 embaixadores ao estaleiro TKMS Brasil Sul, com o objetivo de apresentar a capacidade tecnológica brasileira e prospectar parcerias e exportações. Esse evento reforça o potencial de Itajaí não apenas como referência catarinense, mas como um polo nacional na Base Industrial de Defesa.