A Secretaria de Saúde de Itajaí confirmou um caso de transmissão de HIV de mãe para bebê em 2026. A criança nasceu e recebeu o diagnóstico neste ano. A prefeitura informou ao DIARINHO que a gestante fez acompanhamento pré-natal e os exames previstos durante a gravidez. O caso foi investigado, mas o município afirma que não identificou falhas no atendimento.
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A chamada transmissão vertical acontece quando o HIV passa da mãe para o bebê durante a gestação, o parto ou a amamentação. A prefeitura não informou em qual dessas etapas aconteceu a infecção.
O DIARINHO procurou a secretaria de Saúde após receber uma denúncia anônima sobre o caso. Segundo a vigilância Epidemiológica, a investigação confirmou que a gestante teve acesso aos serviços municipais e recebeu atendimento conforme os protocolos de saúde.
A prefeitura informou que a investigação identificou fatores relacionados à transmissão, apesar das medidas de prevenção adotadas. No entanto, não detalhou quais foram esses fatores.
A secretaria citou a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) para justificar a decisão de não divulgar informações sobre as circunstâncias da infecção. Segundo o município, os dados fazem parte do prontuário médico e poderiam permitir a identificação da criança e de familiares.
A prefeitura também não informou se a mãe já sabia que tinha HIV antes da gravidez ou se descobriu a infecção durante o pré-natal.
Itajaí registrou cinco diagnósticos de transmissão vertical do HIV entre 2021 e 2026, segundo dados da vigilância Epidemiológica. A contagem considera o ano do diagnóstico, que nem sempre corresponde ao ano de nascimento da criança.
Em 2021, houve um caso. Em 2022 e 2023, nenhum. Já em 2024, foram dois diagnósticos: um de uma criança nascida em 2019 e outro de uma criança nascida naquele ano.
Em 2025, houve um diagnóstico de uma criança nascida em 2022. Neste ano, foi confirmado um caso de uma criança nascida em 2026. Não há outros casos sob investigação. Os dados foram extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) em 19 de outubro, e os números de 2026 ainda são preliminares.
O caso foi confirmado menos de um ano depois de o Brasil receber da Organização Mundial da Saúde (OMS) a certificação pela eliminação da transmissão vertical do HIV, em dezembro de 2025.
O reconhecimento não significa que o país tenha zerado as infecções. Para receber a certificação, o Brasil precisou reduzir a transmissão de mãe para filho para menos de 2% e alcançar cobertura superior a 95% no pré-natal, na testagem de HIV e no tratamento das gestantes com o vírus.
O Brasil foi o primeiro país com mais de 100 milhões de habitantes a conquistar essa certificação.
Em Itajaí, as unidades de saúde oferecem testes de HIV no primeiro e no terceiro trimestre da gravidez. Os testes rápidos podem apresentar resultado em cerca de 30 minutos.
Quando uma gestante recebe o diagnóstico, ela é levada ao Centro de Referência de Doenças Infecciosas (Ceredi). Segundo a prefeitura, a consulta acontece entre um e sete dias após o encaminhamento, conforme o estágio da gravidez, e o tratamento começa no atendimento especializado.
A gestante recebe acompanhamento de obstetra, infectologista e outros profissionais. A equipe também avalia a forma mais segura de fazer o parto. Na maternidade, todas as mulheres passam por testagem rápida, e os bebês expostos ao HIV recebem cuidados para reduzir o risco de infecção.
A secretaria informou que o caso de 2026 será discutido pelo Grupo Técnico de Vigilância da Transmissão Vertical, que reúne profissionais de saúde para avaliar os casos e identificar possíveis melhorias no atendimento.
A prefeitura também promove capacitações para enfermeiros e técnicos de enfermagem. Até o momento, foram seis encontros, e outros quatro estão previstos. O município ainda oferece atividades educativas sobre prevenção em escolas, empresas e grupos da sociedade civil.
O Programa IST/Aids e Hepatites Virais de Itajaí disponibiliza informações sobre prevenção, testagem e tratamento no site ist.itajai.sc.gov.br.
Camila Diel; jornalista no DIARINHO; formada pela Univali, com foco em jornalismo digital e produção de reportagens multimídia.




