Itajaí deu um passo significativo para fortalecer a presença de Santa Catarina na Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS) do Brasil. A cidade sediou, em 1º de julho, a reunião inaugural do Polo Itajaiense da BIDS, congregando representantes do poder público municipal, importantes entidades de classe e instituições de ensino superior. O objetivo central é unir esforços em torno de uma agenda estratégica para o desenvolvimento do setor na região.

A articulação para a criação do polo não é recente. Em maio deste ano, durante a SC Expo Defense, Inovação e Tecnologia, em Florianópolis, um protocolo de intenções já havia sido assinado entre a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a prefeitura de Itajaí. Este acordo prevê a elaboração de um projeto de lei municipal para impulsionar a atividade de defesa na cidade, promovendo a colaboração entre governo, academia e setor privado.

O momento é propício, visto que Santa Catarina se consolidou como um polo importante na indústria de defesa. Dados recentes indicam que o estado possui 33 empresas credenciadas pelo Ministério da Defesa, posicionando-se como o terceiro estado com maior número de credenciamentos, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Esse crescimento é notável, considerando que em 2016 o estado contava com apenas uma empresa nesse status. As vendas do setor em Santa Catarina alcançaram R$ 211,8 milhões em 2025, com a participação de 219 empresas fornecedoras.

A iniciativa em Itajaí visa alavancar a vocação naval e portuária do município, que já é sede do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), um projeto de grande envergadura da Marinha do Brasil. Este programa, que movimenta bilhões e gera milhares de empregos, demonstra o potencial local para a indústria de defesa. O polo pretende atrair novos investimentos e expandir as cadeias de fornecimento, englobando diversos segmentos como construção naval, tecnologia da informação, automação, metalmecânica, logística e cibersegurança, com um foco especial em micro, pequenas empresas e startups, que representam cerca de 40% das empresas estratégicas de defesa no estado.