A Secretaria de Saúde de Itajaí confirmou nesta quarta-feira que o homem de 28 anos que morreu na UPA do Centro Integrado de Saúde (CIS), no bairro São Vicente, em Itajaí, no dia 15 de setembro, tinha hantavirose.

O diagnóstico foi confirmado por exames do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen). Na época da morte, a suspeita era de leptospirose. O caso chamou a atenção porque a mãe ficou desesperada ao saber da morte do filho e chegou a tentar se jogar na frente de carros na avenida Adolfo Konder.

A informação também foi confirmada pela diretoria de Vigilância Epidemiológica (DVE) e pela gerência de Controle de Zoonoses. O caso segue sob investigação epidemiológica e ambiental para identificar o possível local e a fonte de exposição.

A hantavirose é uma doença viral grave transmitida principalmente pela inalação de partículas contaminadas pela urina, fezes ou saliva de roedores silvestres. A doença pode piorar rapidamente, com comprometimento respiratório e cardiovascular. Em Itajaí, o último caso registrado foi em 2007, conforme dados do Sinan Net.

Entre os principais sintomas estão febre, dor de cabeça, dores musculares, suor, calafrios, tontura, fraqueza, náuseas, vômitos, diarreia, tosse, dor no peito e dificuldade para respirar.

A suspeita deve receber atenção principalmente quando houver contato com roedores, excretas ou ambientes de risco nos 60 dias anteriores ao início dos sintomas.

A hantavirose é de notificação compulsória imediata. Casos suspeitos devem ser comunicados à vigilância Epidemiológica em até 24 horas, sem necessidade de aguardar a confirmação laboratorial.

A orientação é evitar contato com urina, fezes e saliva de roedores, manter alimentos protegidos e ambientes limpos e não acumular entulhos ou materiais que possam servir de abrigo para esses animais.

Também é necessário ter cuidado na limpeza de galpões, depósitos e outros locais fechados. Quem apresentar febre ou sintomas respiratórios após uma situação de risco deve procurar atendimento de saúde e informar sobre a possível exposição.

A hantavirose e a leptospirose podem estar relacionadas a roedores, mas são doenças diferentes. A principal distinção está no agente causador e na forma de transmissão.

A hantavirose é causada por vírus e está associada principalmente a roedores silvestres. A transmissão pode acontecer pela inalação de partículas contaminadas por urina, fezes ou saliva desses animais, especialmente em ambientes fechados e com presença de roedores. A doença pode comprometer os sistemas respiratório e cardiovascular.

Já a leptospirose é causada por bactérias do gênero leptospira. A infecção está associada ao contato com água, lama ou solo contaminados pela urina de animais infectados, principalmente em situações de enchente.

Outra diferença está no tratamento. A leptospirose pode ser tratada com antibióticos, enquanto a hantavirose exige tratamento de suporte, de acordo com a gravidade do quadro, já que tem não tem um antiviral contra a doença.

Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"