Uma moradora do bairro Cidade Nova, em Itajaí, enfrenta há cerca de um ano dificuldades para conseguir atendimento especializado para a manutenção e limpeza da cânula instalada no pescoço após uma traqueostomia. Susana Vicente passou pelo procedimento depois de sofrer um infarto, em agosto do ano passado, que provocou três paradas cardíacas.

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Segundo a família, a falta de profissionais capacitados para lidar com o dispositivo em Itajaí obriga Susana a viajar a Joinville, a cerca de 80 quilômetros, a cada três meses. Ela é acompanhada pelo médico Paulo Zanoni, no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt. Devido às dificuldades de respiração e fala, é o marido, Márcio Antônio Rosa, quem normalmente se comunica por ela. As despesas com os deslocamentos, segundo ele, são custeadas pela família.

“É absurdo ter que se deslocar até Joinville apenas para fazer a manutenção e a limpeza. Estamos há um ano passando por isso e precisamos de uma solução em Itajaí”, afirma Márcio. O casal diz que já procurou atendimento no hospital Marieta Konder Bornhausen e no Centro Integrado de Saúde (CIS), mas encontrou dificuldades com profissionais não familiarizados com a cânula.

Márcio relata que em uma das vezes em que esteve no Marieta aguardou cerca de uma hora pela triagem e outra pelo atendimento médico. Segundo ele, o profissional que atendeu Susana teria admitido não saber manejar o equipamento.

“Eu expliquei que, depois do infarto, fomos orientados de que a limpeza e a manutenção poderiam ser feitas por um técnico de enfermagem, desde que com supervisão médica. Havia enfermeiras disponíveis, mas segundo nos disseram, elas não sabiam como manusear o equipamento”, relata. Segundo Márcio, situação semelhante aconteceu no CIS.

“Queremos que Itajaí tenha profissionais preparados para atender pessoas que passam por traqueostomia. Não é justo um paciente precisar viajar para outra cidade”, afirma.

Procurado pelo DIARINHO, o Marieta informou que a manutenção e a limpeza de cânulas de traqueostomia não estão entre os serviços prestados pela unidade. Susana passou pelo procedimento no hospital em 2025 e, após a alta, teve apenas um novo atendimento no pronto-socorro, em dezembro.

Segundo o Marieta, o acompanhamento e os cuidados de rotina após a alta são prestados pela rede de atenção da prefeitura, incluindo a atenção domiciliar. “Em caso de urgência, o pronto-socorro do Marieta permanece como referência”, informou o hospital. Não houve resposta sobre a demora na triagem.

A Prefeitura de Itajaí também confirmou que o CIS não faz esse tipo de atendimento. “O cuidado rotineiro da traqueostomia é da unidade básica de saúde, a UBS. Inclusive, uma enfermeira pode ensinar a assepsia em casa. Quando há obstrução, a situação se torna uma emergência e então o atendimento é prioritário na Upa”, informou o município.

A prefeitura acrescentou que pode ajudar no deslocamento para outras cidades. Para isso, Márcio deve procurar a UBS do bairro, onde será iniciada a organização do transporte.

Juvan Neto; formado em Jornalismo pela Univali e graduando em Direito. Escreve sobre as cidades de Barra Velha, Penha e Balneário Piçarras.