A residência da mãe do candidato ao Senado por Santa Catarina, Décio Lima (PT), localizada em Itajaí, foi alvo de um ataque a pedradas na noite de domingo (27). O imóvel, situado no bairro São João, teve uma de suas janelas de madeira danificada por uma pedra arremessada de um veículo por volta das 20h. No momento do incidente, encontravam-se na casa Angelina Lima, de 88 anos, que sofre de Alzheimer há 15 anos, e seu filho Écio Lima, de 67 anos, que se recupera de uma cirurgia cardíaca, além de uma cuidadora. Felizmente, ninguém ficou ferido, mas o sobrinho do candidato, Lucas Lima, denunciou o ataque como "covarde" em vídeo divulgado nas redes sociais, alertando para o perigo que a pedra poderia ter causado aos moradores.

A família de Décio Lima levanta a suspeita de que a motivação para o ataque esteja ligada à presença de material de campanha eleitoral em frente à residência. Wind banners com propagandas de Décio e de sua esposa, a deputada federal Ana Paula Lima (PT), candidata à reeleição, estavam dispostos no local. A casa é um imóvel de infância do candidato e frequentemente funciona como um comitê informal de campanha em períodos eleitorais. Após o ocorrido, Écio Lima solicitou a retirada dos materiais de campanha e adesivos políticos de veículos estacionados na garagem, temendo por sua segurança e a de sua mãe.

Diante do ocorrido, a família informou que irá analisar imagens de câmeras de segurança das imediações e registrará um Boletim de Ocorrência. O objetivo é que as autoridades competentes possam identificar os responsáveis pelo ataque. Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação oficial sobre a abertura de uma investigação policial para apurar os fatos. Décio Lima repudiou veementemente o episódio, qualificando-o como "uma afronta direta aos valores democráticos" e defendendo que o debate político deve se pautar pelo "campo das ideias e do respeito mútuo". Sua irmã, Raquel Lima, associou o ato ao "extremismo" que transforma o debate democrático em hostilidade.

Este ataque em Itajaí não parece ser um fato isolado no cenário político catarinense. O episódio ocorre poucos dias após o diretório do PT em Araranguá ter registrado uma denúncia de vandalismo contra materiais de campanha do partido na região sul do estado. Além disso, em setembro, a advogada Fernanda Klitzke, segunda suplente na chapa de Décio ao Senado, foi derrubada e atingida por disparos de bala de borracha durante uma ação policial em Jaraguá do Sul, conforme imagens que também mostraram chutes durante a abordagem. A Polícia Militar justificou a ação alegando resistência, mas a conduta dos policiais seria apurada pela Corregedoria-Geral. A sucessão desses eventos sugere um padrão de crescente hostilidade contra integrantes e apoiadores do PT no estado, às vésperas das eleições.