Um vídeo gravado em Itajaí, Santa Catarina, expôs uma profunda divisão dentro do Partido Liberal (PL) no estado. A deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) demonstrou publicamente sua oposição à candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado ao se recusar a pedir votos para ele em uma gravação. Nas imagens, que circulam nas redes sociais, Campagnolo aparece ao lado da deputada federal Carol De Toni (PL-SC) e do vice-prefeito de Itajaí, Rubens Angioletti (PL). Enquanto Angioletti solicitava apoio às candidaturas do grupo, Campagnolo permaneceu visível durante a menção de Carol De Toni, mas se afastou do enquadramento assim que Carlos Bolsonaro foi citado.

O episódio transforma em imagem uma tensão que já vinha se manifestando há meses no PL catarinense. Campagnolo tem sido uma das vozes mais críticas à entrada de Carlos Bolsonaro na disputa pelo Senado em Santa Catarina, defendendo que as vagas fossem destinadas a lideranças políticas locais. Essa resistência se intensificou após recentes confrontos entre ela e o senador Jorge Seif (PL-SC), um dos aliados de Carlos Bolsonaro no estado, reacendendo uma disputa que acompanha o projeto eleitoral do filho do ex-presidente.

A crise interna no PL de Santa Catarina em torno da candidatura de Carlos Bolsonaro não é nova. Desde novembro de 2025, a possível disputa do então vereador do Rio de Janeiro por uma cadeira no Senado catarinense gerou embates públicos com integrantes da família Bolsonaro, incluindo a própria Campagnolo. A situação se complicou ainda mais devido à pré-candidatura de Carol De Toni ao Senado, que também buscava espaço e acabou dividindo atenções e gerando uma guerra interna pela composição da chapa do partido.

Apesar das divergências, o PL oficializou Carlos Bolsonaro e Carol De Toni como candidatos ao Senado por Santa Catarina em 1º de agosto, dentro do calendário eleitoral. No entanto, a convenção partidária não parece ter encerrado as divergências internas. O incidente em Itajaí demonstra que a homologação formal da chapa não se traduziu em unidade política, com Campagnolo optando por se retirar da cena quando o nome de Carlos Bolsonaro era promovido, evidenciando a dificuldade do partido em unificar sua base em torno das escolhas feitas pelo núcleo bolsonarista.